Via rápida para curar doenças

Diabetes tipo 1 e cânceres de mama e no cérebro estão entre os alvos do Núcleo de Terapia Celular e Molecular da USP

Realizar pesquisa translacional, ou seja, aquela que possibilita levar mais rapidamente o conhecimento gerado no laboratório para o leito do paciente, e, inversamente, trazer os problemas do paciente para a bancada do laboratório.

Esse é um dos desafios do Nucel – Núcleo de Terapia Celular e Molecular da USP, entidade que contou com o apoio da FUSP na realização de duas empreitadas: construção do edifício do Núcleo e execução de um projeto de pesquisa para o desenvolvimento de tecnologias de cultivo e manipulação de células-tronco embrionárias e mesenquimais e sua disponibilização para a Rede Nacional de Terapia Celular (RNTC). Com esses atributos, o Nucel tornou-se um dos oito Centros de Tecnologias Celulares (CTCs) do país, com apoio financeiro da Finep e do BNDES.

O Nucel conta com 40 pesquisadores e integra a RNTC. Sua sede, um prédio de 2.600 m², fica na Cidade Universitária, em São Paulo.

“Trabalhamos para encontrar alternativas para doenças crônicas, como a diabetes, principalmente a do tipo 1, e o câncer, em particular o de mama e o de cérebro – ou glioblastoma, que é o tumor mais fatal do sistema nervoso central”, explica a bioquímica Mari Cleide Sogayar, coordenadora do Núcleo. “Também tentamos soluções para problemas de fertilização humana e reprodução animal”.

Nas pesquisas sobre a diabetes tipo 1, utilizam-se células-tronco para, a partir delas, viabilizar a produção de células pancreáticas produtoras de insulina.

“A ideia é, primeiro, trabalhar com as ilhotas pancreáticas de doadores de órgãos e tentar implantá-las nos pacientes diabéticos que não produzem insulina. O problema é que os órgãos doados para a pesquisa científica são raros. Então, temos de produzir essas células geradoras de insulina a partir de células-tronco, o que é um processo complexo, demorado e caro, que poucos grupos no mundo conseguem desenvolver. Uma de nossas metas é fazer isso cada vez melhor para atender a demanda interna”, afirma a bioquímica.

Nas pesquisas sobre o câncer de mama e de cérebro, buscam-se marcadores moleculares que permitam a detecção precoce da doença, e, consequentemente, a terapia correta, dirigida ao tipo específico de tumor.

“Tentamos mapear os genes que estão na base do câncer. Uma vez encontrados, então é possível pensar numa ferramenta de combate aos tumores, como, por exemplo, um RNA inibidor do gene causador ou dos genes causadores da doença”, resume Mari.

COOPERAÇÃO– Além de interagir com os demais centros de pesquisa da Rede Nacional de Terapia Celular e do exterior, o Nucel procura manter atividades de cooperação com empresas farmacêuticas nacionais.

Um bom exemplo é a Ouro Fino Saúde Animal, empresa com sede em Cravinhos (SP), para a qual o Nucel está desenvolvendo um hormônio de reprodução animal.

“Estamos assinando um convênio de cooperação com o Nucel para o fornecimento de moléculas para reprodução de equinos e bovinos. Testamos inicialmente essa molécula e ela funcionou, o que nos animou a assinar o convênio. A ideia, inclusive, deve gerar uma patente”, anima-se Eduardo de Oliveira Pontes, coordenador de prospecção tecnológica da Ouro Fino.

“Há inúmeras vantagens nesse tipo de convênio, entre as quais destaco a chancela da USP no nosso produto e a possibilidade de estar em contato com experts no tema e de otimizar nosso setor de P&D”, enfatiza Pontes.

PARCERIA FUSP – A FUSP participou do projeto do Nucel, para a construção do prédio e desenvolvimento da tecnologia de cultivo e manipulação de células-tronco, por meio do gerenciamento administrativo e financeiro dos recursos advindos do BNDES e da Finep.

As atividades da Fundação compreenderam o apoio à realização de licitações de obras e serviços de engenharia, aquisição de equipamentos e mobiliários, importação de equipamentos com isenção de impostos através da Lei 8010/90 e outras atividades administrativas, “sempre em busca da proposta mais vantajosa financeira e tecnicamente para o Nucel”, destaca Julio César Oliveira, gestor de relacionamento da FUSP.

“O acompanhamento financeiro e a prestação de contas foram feitos rigorosamente de acordo com as normas do BNDES, da Finep e da própria FUSP. O projeto foi periodicamente auditado pelo Banco, sem que houvesse apontamento de irregularidades”, informa Julio César.

O diretor executivo da FUSP, José Roberto Cardoso, observou que está entre os objetivos fundamentais da Fundação apoiar e fazer a gestão de projetos que favoreçam diretamente a sociedade, principalmente quando implica o desenvolvimento de novas tecnologias. “Os projetos do Nucel contemplam essas duas características: ajudam no combate a doenças graves e proporcionam avanços científicos e tecnológicos importantes para o Brasil”, afirmou Cardoso.